Em um sistema de produção de animais, o manejo correto dos animais é importante desde o nascimento, o que será crucial para a obtenção de resultados positivos no futuro.
AUTOR: MAURO BOUZAS LOUREIRO NETO
Após o nascimento do bezerro uma das primeiras coisas a serem feitas é a cura do umbigo, o umbigo de um recém-nascido é um local bastante sensível, além de ser a porta de entrada para diversos microrganismos, que podem acarretar distúrbios infecciosos, inflamatórios e parasitários, que podem se espalhar para o restante do organismo do animal. E para se prevenir tais eventualidades, que a cura bem feita da região umbilical se torna de suma importância para a saúde do animal, proporcionando uma melhor eficiência produtiva e um melhor custo-benefício para o produtor.
Durante o período de gestação, o feto vai ser suprido de nutriente e de sangue através da estrutura denominada cordão umbilical. E através deste, percorre veia e artérias umbilicais, além de um cordão fibroso, o úraco. Com a ocorrência do parto, essas estruturas se rompem, assim ficando expostas, e o seu ressecamento e total cicatrização leva em torno de dez dias. Cada estrutura está ligada a uma parte do organismo do bezerro, devido a isso, se torna a maior porta de entrada para infecções em neonatais. As artérias ali presentes estão relacionadas as artérias ilíacas a placenta. Já a veia umbilical conecta-se a fígado, e o úraco comunica a bexiga fetal a cavidade alantoide. Devido a localização e função dessas estruturas, podemos constatar que uma infecção nessa região pode se dispersar para todo o corpo do indivíduo, acarretando diversos distúrbios.
Uma das principais causas da mortalidade em recém-nascidos destaca-se as onfalites/onfaloflebites. Microrganismos comuns de onfalite são encontrados frequentemente em animais com septicemia.
Os danos causados podem ser classificados em infecciosos, ocasionados por bactérias, e não infecciosos, quando são hérnias, persistência do úraco e por neoplasias. E também podem ser diferenciados em extra abdominais (onfalite) e intra abdominais (onfaloflebite, onfaloarterite, uraquite, onfaloarterioflebite, onfalouracoflebite, onfalouracoarterite ou panvasculite umbilical).
Ao se incrementar em sua propriedade animais vindos de cria, obter informações sobre o histórico do animal, se recebeu uma boa colostragem, analisar situação umbilical, e em casos onde o animal apresenta algum quadro patológico, exames de sangue, cultura ou outros de acordo com a gravidade, dentre outros fatores são de suma importância para se diagnosticar quadros de onfalites.
Como prevenção de anormalidades na região umbilical, o uso de soluções que apresentam iodo de 5 a 10% são uma boa forma para evitar transtornos. Esse procedimento deve ser feito corretamente, deixando o umbigo imerso no mínimo por trinta segundos, duas vezes ao dia. Estudos ressentes afirmam a eficácia de produtos que possuem a função de antissépticos locais, antibióticos e larvicidas, que afugentam possíveis moscas causadoras de miíase.
Para o tratamento de problemas mais graves, é preciso diagnosticar primeiramente toda a situação, como os agentes causadores, a gravidade e a evolução do quadro, para assim, efetuar um tratamento eficaz.
É recomendável realizar uma boa cura de umbigo imediatamente após o nascimento, pois quando há anormalidades na região umbilical os animais acometidos irão apresentar um menor desempenho comparando aos demais que passaram por um bom manejo de cura.