quinta-feira, 27 de maio de 2021

Importância da cura de umbigo de maneira correta e transtornos quando mal feita

 Em um sistema de produção de animais, o manejo correto dos animais é importante desde o nascimento, o que será crucial para a obtenção de resultados positivos no futuro.  







FONTE: PRESENTE RURAL

AUTOR: MAURO BOUZAS LOUREIRO NETO



Após o nascimento do bezerro uma das primeiras coisas a serem feitas é a cura do umbigo, o umbigo de um recém-nascido é um local bastante sensível, além de ser a porta de entrada para diversos microrganismos, que podem acarretar distúrbios infecciosos, inflamatórios e parasitários, que podem se espalhar para o restante do organismo do animal. E para se prevenir tais eventualidades, que a cura bem feita da região umbilical se torna de suma importância para a saúde do animal, proporcionando uma melhor eficiência produtiva e um melhor custo-benefício para o produtor.  

Durante o período de gestação, o feto vai ser suprido de nutriente e de sangue através da estrutura denominada cordão umbilical. E através deste, percorre veia e artérias umbilicais, além de um cordão fibroso, o úraco. Com a ocorrência do parto, essas estruturas se rompem, assim ficando expostas, e o seu ressecamento e total cicatrização leva em torno de dez dias. Cada estrutura está ligada a uma parte do organismo do bezerro, devido a isso, se torna a maior porta de entrada para infecções em neonatais. As artérias ali presentes estão relacionadas as artérias ilíacas a placenta. Já a veia umbilical conecta-se a fígado, e o úraco comunica a bexiga fetal a cavidade alantoide. Devido a localização e função dessas estruturas, podemos constatar que uma infecção nessa região pode se dispersar para todo o corpo do indivíduo, acarretando diversos distúrbios. 

Uma das principais causas da mortalidade em recém-nascidos destaca-se as onfalites/onfaloflebites. Microrganismos comuns de onfalite são encontrados frequentemente em animais com septicemia. 

Os danos causados podem ser classificados em infecciosos, ocasionados por bactérias, e não infecciosos, quando são hérnias, persistência do úraco e por neoplasias. E também podem ser diferenciados em extra abdominais (onfalite) e intra abdominais (onfaloflebiteonfaloarteriteuraquiteonfaloarterioflebiteonfalouracoflebiteonfalouracoarterite ou panvasculite umbilical). 

Ao se incrementar em sua propriedade animais vindos de cria, obter informações sobre o histórico do animal, se recebeu uma boa colostragem, analisar situação umbilical, e em casos onde o animal apresenta algum quadro patológico, exames de sangue, cultura ou outros de acordo com a gravidade, dentre outros fatores são de suma importância para se diagnosticar quadros de onfalites. 

Como prevenção de anormalidades na região umbilical, o uso de soluções que apresentam iodo de 5 a 10% são uma boa forma para evitar transtornos. Esse procedimento deve ser feito corretamente, deixando o umbigo imerso no mínimo por trinta segundos, duas vezes ao dia. Estudos ressentes afirmam a eficácia de produtos que possuem a função de antissépticos locais, antibióticos e larvicidas, que afugentam possíveis moscas causadoras de miíase 

Para o tratamento de problemas mais graves, é preciso diagnosticar primeiramente toda a situação, como os agentes causadores, a gravidade e a evolução do quadro, para assim, efetuar um tratamento eficaz.  

É recomendável realizar uma boa cura de umbigo imediatamente após o nascimento, pois quando há anormalidades na região umbilical os animais acometidos irão apresentar um menor desempenho comparando aos demais que passaram por um bom manejo de cura.

FONTE: ARQUIVO PESSOAL

TEXEIRA, A.S.M et al. Onfalite e onfaloplastia em bezerro – Relato de Caso- Umbilical infection and umbilical surgeryin calf and–Case report, Brasília, v. 3, 2021, n. 1, p. 10, 2021.  

HINTZ, L.P; BERTAGNON, H.G; LAPCZAK, J.C.O. Avaliação de diferentes protocolos preventivos para onfalopatias em bovinos de corte recém-nascidos, Guarapuava, v. 13, 2019, n. 5, p. 1-7.





 

 

sábado, 15 de maio de 2021

ANTI- HELMÍTICOS EM BOVINOCULTURA DE CORTE

Fonte: revista rural agropecuária

 Autor: Ana Eliza da Silva

A bovinocultura está entre os segmentos que mais crescem no país, principalmente a destinada a produção de carne. Aumentar a produtividade, eficiência e diminuir os custos se tornou uma necessidade fundamental, além de tudo também criando- se assim carne de qualidade confiável. Contudo, para que os animais apresentem ganhos satisfatórios em sistemas mais intensivos, recomenda-se atenção especial às verminoses gastrointestinais, cujos efeitos negativos estão relacionados a atraso no crescimento, perdas de peso e menor produtividade animal (CASTRO, S. R. S. de et al. 2009). 

Os nematódeos prejudicam o desenvolvimento e podem inclusive provocar a morte do hospedeiro, diminuindo a resistência a infecções por outros agentes etiológicos, competindo por nutrientes e provocando danos na mucosa do trato gastrintestinal, os quais acarretam distúrbios na digestão e absorção dos alimentos. O grau de patogenicidade desses parasitado rebanho depende de fatores climáticos, tipo de exploração (intensivo ou extensivo), espécies envolvidas, veis de parasitismo, resistência, idade e estado nutricional do hospedeiro, manejo dos animais e das pastagens, etc (CATTO, 1982). 

As infecções por nematódeos gastrintestinais causam importantes perdas produtivas em bovinos. As nematodíases subclínicas, nas quais há queda no desempenho produtivo sem a manifestação de sinais clínicos, são as mais comuns, havendo ainda os gastos com antiparasitários e os prejuízos com o eventual descarte de leite no pós-tratamento, durante o período de carência. As helmintoses estimulam respostas fisiológicas desfavoráveis ao bem-estar e à produtividade dos bovinos; todavia, esse impacto pode ser reduzido por meio de adequadas medidas de controle antiparasitário, envolvendo o manejo do rebanho e as aplicações de anti-helmínticos (Fernandes, 2004). 

Muitas vezes o controle antiparasitário aplicado nos bovinos não obedece a critérios técnicos, especialmente em propriedades de pequeno porte. Esse fato evidencia a negligência em relação ao conhecimento epidemiológico no direcionamento do controle de helmintos nesses rebanhos. Para prevenir ou minimizar as perdas ocasionadas pelas verminoses, utilizam-se tratamentos anti-helmínticos estratégicos, os quais proporcionam redução na mortalidade dos animais em torno de 2% e, no abate, um ganho de peso vivo por animal de aproximadamente 41 kg. Porém esse procedimento gera custos de fármacos e mão de obra para a fazenda, além de que com a utilização as cepas tem desenvolvido resistência aos antehelmínticos (CASTRO, S. R. S. de et al. 2009) 

A utilização de antihelmíticos tem sido o principal método de controle de parasitas em bovinos, isso se torna um problema pois favorece resistência dos hospedeiros. Estão sendo investigados trabalhos com pastagem rotacionada com o objetivo de se controlar, interrompendo o ciclo (Fernandes, 2004).  

Um estudo foi feito por Fernandes em 2004, no Rio Grande do Sul, onde o pastejo foi alternado entre bovinos e ovinos, sua eficácia foi comprovada e justificada por ao ingerir parasitas que não o atinge, destrói o mesmo, esse método favorece especialmente animais mais susceptíveis como fêmeas prenhes.  

CASTRO, S. R. S. USO DE ANTI-HELMÍNTICOS E BIOESTIMULANTES NO DESEMPENHO DE BOVINOS DE CORTE SUPLEMENTADOS A PASTO NO ESTADO DO PARÁ. Ciência Animal Brasileira, v. 10, n. 2, p. 527-537, abr./jun. 2009 

FERNANDES, L.H. Effect of rotational and alternate grazing with adult cattle on the control of nematode parasites in shees, ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.56 no.6 Belo Horizonte Dec. 2004. 

 

CATTO, J.B., FURLONG, J. DESENVOLVIMENTO DE BOVINOS CRIADOS EXTENSIVAMENTE, SUBMETIDOS A VÁRIOS ESQUEMAS DE TRATAMENTO ANTI-HELMÍNTICO, NO PANTANAL MATOGROSSENSE. Pesq. agropecbrasBrasilia, 17(1):131-136, jan. 1982. 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Blocos Multinutricionais na nutrição de Bovinos de corte

 AUTOR: Raphaella Oliveira Nascimento 

Os blocos multinutricionais são uma forma de suplementação para ruminantes constituídos por proteína, energia e minerais, é uma mistura solidificada que é ofertada em forma de blocos, cujos ingredientes básicos são melaço, uréia, farelos e sal mineral.  

tecnologia incluída nos blocos é um complexo mineral vitamínico com proteína indicado para bovinos mantidos em pastagens, tem como objetivo prover energia e proteína de alta e média velocidade de fermentação com a inclusão de elementos com o potencial de promover alta capacidade de digestibilidade. 

A palatabilidade, a distribuição dos blocos na linha de cocho, o tempo de armazenamento, entretanto, a consistência é considerada a principal variável na determinação do consumo dos blocos. Além disso, estudos mostram que o consumo de blocos multinutricionais pode não ser tão expressivo, quando o volumoso ofertado é de alta qualidade, provavelmente se deve a quantidade de proteína bruta presente na forragem, quando possui valores superiores ao mínimo necessário ao funcionamento das atividades dos microrganismos do rúmen. 

O produto possui em sua composição a tecnologia chamada Calseagrit Biotech, fonte orgânica de algas calcáreas marinhas, que por sua disponibilidade de cálcio e magnésio auxilia evitando quedas bruscas do pH em função de controlar a concentração de ácidos graxos de cadeia curta no ambiente ruminal, e também os picos na concentração de amônia, típicos da suplementação convencional. Essas características contribuem para a redução dos riscos de distúrbios metabólicos como a acidose. 

Como principal ingrediente, o melaço disponibiliza carboidratos altamente solúveis ao ruminante no qual é a fonte mais rápida de metabolização pela microbiota ruminal, sendo assim, a matéria-prima que proporciona o teor de energia ao animal. Já no caso da proteína degradável no rúmen, a ureia é o componente que oferece ao ruminante a fonte mais rápida para a formação de proteína microbiana. O fornecimento em forma de blocos apresenta vantagens, reduzindo riscos de intoxicação, uma vez que se consumida em excesso poderia ser muito tóxica, causando a morte dos animais. A natureza sólida dos blocos exige que os animais tenham que lamber, que em teoria garante um consumo de nutrientes lento e contínuo ao longo do dia, possibilitando uma ingestão mais eficiente dos nutrientes encontrados nos blocos multinutricionais. Além dos benefícios nutricionais, os blocos oferecem vantagens do ponto de vista logístico, devido à sua versatilidade, facilidade de manejo, transporte e armazenamento. Outra possibilidade do uso de blocos nutricionais consiste na adição de produtos medicamentosos que podem conter fármacos anti-helmínticos e fungos nematófagos para controle de parásitas internos. 

 

Os blocos caracterizam-se por serem um suplemento que dispensa a construção de cochos, podendo ser disposto em lugares estratégicos nos piquetes, possibilitando ao animal, suplementação contínua. Vento e sol não implicam perdas de produto e não influenciam a qualidade do bloco, a ação da chuva também não altera sua estrutura e composição nutricional, sendo insolúvel à presença de água, garantindo que o animal não apresente intoxicações e também excluindo a possibilidade de desperdício de suplemento, muito evidenciado em produtos farelados.  

A correta adesão de produtos na alimentação animal deve respeitar as exigências nutricionais dos animais em produção, uma vez que, o excesso no consumo de concentrados pode acarretar distúrbios severos, impactando na economicidade do sistema produtivo. Além do gasto com o produto ou a matéria-prima a ser oferecida para os animais, outros fatores que possuem impactos positivos nos custos de produção e não podem ser deixados de lado, são a redução dos gastos com maquinários, mão-de-obra, construção de cochos e combustível. 

REFERÊNCIAS: 

SEVERO, J.F. TÍTULO. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DE NOVILHAS EM PASTEJO COM BLOCOS NUTRICIONAIS: ESTUDO DE CASO, PORTO ALEGRE - RS, 2018, p. 34, 2018. 

 

GOMES, M.B. TÍTULO. CONSUMO, DEGRADABILIDADE E PADRÃO DE FERMENTAÇÃO RUMINAL DE BLOCOS MULTINUTRICIONAIS CONFECCIONADOS COM SUBPRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA ALAGOANA, RIO LARGO -AL, 2018, p. 49. 

 

FREITAS, S.G et al. Efeito da suplementação de bezerros com blocos multinutricionais sobre a digestibilidade, o consumo e os parâmetros ruminais. Viçosa, v. 32. 2003. 

RADAR TÉCNICO GEAAN CORTE