Autora: Isadora Marugueiro de Paula Teodoro
Graduanda do curso de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Campus Betim.
Essas doenças infecciosas trazem grande impacto econômico negativo para a pecuária intensiva tanto de corte quanto de leite, devido aos custos de tratamento, prejuízo no desempenho e bem-estar dos animais. O complexo respiratório bovino é o maior causador de doença clínica e morte em bovinos confinados, uma vez que essa enfermidade possui uma causalidade multifatorial. A transmissão ocorre por contato direto, aerossol e exposição à fômites contaminados. O tratamento muitas vezes é de grande valia, pois garante um bom estado de saúde do animal, assim retoma os ganhos produtivos.
A patogênese e etiologia da doença esta estritamente relacionada ao estresse, agentes virais ou parasitários, os quais geram uma imunossupressão no hospedeiro, devido gerarem muitas vezes lesões teciduais e interferirem na capacidade de resposta imune do animal. Sendo assim, facilitando a translocação de bactérias comensais do trato respiratório superior para o inferior, assim essas tornam-se oportunistas e multiplicam rapidamente no trato respiratório, gerando infecção pulmonar. As principais bactérias envolvidas na CRB são: Pasteurella multocida, Mannhemia haemolytica, Histophilus somni e Mycoplasma bovis. Essa doença esta muito associada ao manejo alimentar dos animais e o transporte desses, pois a maioria dos bezerros são desmamados e posteriormente transportados em conjunto com outros bovinos, provenientes de locais distintos. Dessa forma, esses animais muitas vezes passam por consecutivos momentos de estresse.
Os fatores predisponentes mais aceitos para o complexo são: método de transporte, uma vez que veículos que apresentam maior ventilação foi constatado menor incidência da doença; a desidratação sofrida por alguns animais no momento do transporte é um mecanismo que impacta o CRB; aglomerado de bezerros de diferentes origens; clima, já que existe uma maior ocorrência em temperaturas mais baixas; situações que provocam maior estresse ao animal; ocorrência de doenças fúngicas; animais mais jovens e mais leves têm maior chance de contraírem o complexo; sexo dos animais, há estudos que demonstram que bezerros machos possuem mais chance de desenvolver a enfermidade; bezerros provenientes de primíparas têm menor resistência aos agentes, isto esta associado a baixos níveis de anticorpos no colostro; vacinação para BHV-1 e BVDV antes do parto diminui a incidência de CRB em bezerros após a desmama.
Os principais sinais clínicos são: depressão, anorexia, tosse, taquipneia, dispneia, sons respiratórios anormais, febre, rinorreia, narinas secas, corrimento ocular, orelha caída, magreza, pelagem seca e morte súbita. No entanto, segundo Wittum et al (1996) cerca de 68% dos animais considerados sadios apresentaram lesões pulmonares no abate, o que permite concluir que a detecção visual do CRB não é precisa. Em relação aos métodos de diagnósticos ainda não há um com alta precisão que possa ser utilizado em confinamentos. Atualmente, o mais utilizado é o envio de amostras de exsudatos e secreções de animais suspeitos para análise laboratorial.
As formas de prevenção e controle da doença são: programa de desmama que provoque o mínimo de estresse ao animal; esquema vacinal eficaz antes de introduzir o animal no confinamento; separação dos animais doentes e dos sadios; ventilação e sistema de pulverização de água, pois isso permite a remoção de partícula, como agentes infecciosos, poeira e gases irritantes; medicação em massa e a metafilaxia no período inicial do confinamento. Portanto, erradicar a presença desses agentes é impossível, mas o que pode ser feito é reduzir a incidência da doença.
Referência: SLOMPO, Diego et al. Manejo do complexo respiratório bovino em confinamento: Revisão. PUBVET, v. 11, p. 313-423, 2016.
Nenhum comentário:
Postar um comentário