sexta-feira, 19 de março de 2021

CURIOSIDADES SOBRE A GORDURA DO LEITE

 Autora: Isadora Marugueiro de Paula Teodoro

Graduanda do curso de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Campus Betim.


A gordura do leite é constituída em cerca de 65% por ácidos graxos saturados. Esse perfil está estritamente relacionado com a ação das bactérias ruminais. Esse nutriente pode variar o seu teor conforme a espécie animal e também com a nutrição do animal (criado a pasto ou em confinamentos). 

O leite, mais detalhadamente a gordura é constituído por uma gama de ácidos graxos, sendo que os principais até o momento que trazem benefícios a saúde humana são: Acido Linoleicos conjugados (CLAs), os seus precursores a produção do ácido pelos animais é mais presente em forragens novas; ácido butírico, o qual sua quantidade na gordura do leite não é muito afetada pela dieta animal; ácido palmitoléico, esse está associado a forragens novas; ácido fitânico, proveniente da clorofila das forragens. Todos esses ácidos graxos são produzidos a nível ruminal por bactérias em vacas, ovelhas e cabras.  

A quantidade de CLA na gordura do leite varia muito, ainda não se sabe ao certo o motivo. Esse ácido graxo oferece como efeitos benéficos: melhoria na sensibilidade à insulina e redução da gordura hepática. O ácido butírico possui um papel importante na saúde intestinal, pois ele reduz a expressão de citosina pro-inflamatórias e nos estudos ele foi responsável por melhorar os sintomas da doença de Cohn. O ácido palmitoléico gerou um aumento de HDL, redução dos triglicerídeos e menor resistência à insulina, já o ácido fitânico é responsável por regular o metabolismo da glicose no fígado. 

A gordura do leite é um nutriente com alta densidade energética. No entanto, estudos recentes mostraram que os produtos lácteos que têm alto teor de gordura, não são os responsáveis pelo aumento da obesidade. Essa enfermidade está relacionada com o aumento da ingestão de carboidratos, álcool e açucares. Esses alimentos apresentam mais ácidos graxos de cadeia par. Além disso, a gordura láctea é associada ao aumento da obesidade também, pelo fato de como muitas vezes essa é ingerida. Uma grande proporção é consumida na forma de alimentos doces ou salgados, como sorvetes e pizza. 

Os ácidos graxos saturados possuem efeitos distintos sofre o sistema cardiovascular, mas nos estudos mais recentes os indivíduos que se alimentavam com lácteos de alto teor de gordura tinham menor chance de doenças cardiovasculares. E o consumo de produtos lácteos com a presença de gordura saturada se mostrou inversamente proporcional à obesidade, independentemente do nível de gordura. Ademais, os produtos lácteos fermentados (queijo e iogurtes) mostraram-se com potencial anti-inflamatório.
Fonte: arquivo pessoal
REFERÊNCIAS:
Kratz M., Baars T., Guyenet S., The relationship between high-fat dairy consumption and obesity, cardiovascular, and metabolic disease. Embrapa, review. Eur J Nutr DOI. 2017.
Chartier-Drouin J. P., Côte J.A., Labonté M.E. Comprehensive Review of the impact of Dairy Foods and Dairy fat on Cardiometabolic Risk. Embrapa. ADV Nutri. 2016; 7:1041-51.

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