Autora: Ana Eliza da Silva
Graduanda do curso de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Campus Betim
O rúmen é um ecossistema, onde nele habitam várias espécies bacterianas, protozoárias e fúngicas, que vivem entre interdependência e competição, por isso mudanças bruscas na dieta podem a vir se desencadear enfermidades pois a competição induz ao consumo excessivo (CONSTABLE et al., 2017). No rúmen os carboidratos, são a principal fonte de energia, convertidos em AGV’s (Ácidos Graxos Voláteis) e lactato, os AGV’s são acetato, butirato e propionato. Quando o animal se alimenta de uma dieta rica em fibra, há maior produção de ácido acético, responsável pela produção de ácidos graxos. Já numa dieta rica em concentrado, prática comum em confinamentos dedicados a terminação, há maior produção de ácido propiônico, o qual é responsável pela produção de glicose. Quanto maior a concentração de ácido propiônico no rúmen, mais baixo fica o pH ruminal, além de haver predominância das bactérias gram-positivas (Streptococcus bovis) que são produtoras de ácido lático. Com isso soluções para o problema foram tragos com os ionóforos, os quais têm como função manter o equilíbrio do ambiente ruminal, favorecendo o aproveitamento dos nutrientes advindos da dieta. Os ionóforos como a monensina sódica e a lasalocida, inibem o crescimento das bactérias produtoras de ácido lático, além de controlar a produção de metano no rúmen que ocasiona gasto de energia. A monensina diminui a proporção de ácido acético no rúmen e aumenta a proporção de ácido propiônico, disponibilizando mais energia para o animal, principalmente por favorecer o crescimento de bactérias gram-negativas produtoras de propionato. Com isto, há diminuição da mobilização de gordura corpórea, aumento da passagem de proteína do alimento para os intestinos sem ser degradada no rúmen. mantendo o animal em peso estável (OLIVEIRA et al, 2005). Como diminui a perda de energia, proporciona melhor aproveitamento do alimento para a produção, resultando em melhor conversão alimentar, não alterando o ganho de peso quando se é utilizado rações de alto consumo, mas em casos de dietas de valor energético menos denso, melhora a conversão alimentar, propicia o ganho de peso e reduz os riscos de acidose (NEGRÃO et al., 2010). Em geral a utilização de antibióticos não ionóforos, como por exemplo a virginiamicina na alimentação animal em doses balanceadas, contribui para um menor custo de produção, promovendo o crescimento, melhorando a conversão alimentar e agindo sobre microrganismos específicos. Estes mecanismos estão baseados em atuar diretamente no metabolismo animal, alterar a população de bactérias para que haja conservação dos nutrientes, controlar doenças subclínicas e alterar a população de microrganismos no rúmen para alterar a eficiência de fermentação (OLIVEIRA et al., 2005). Enfim, a dieta rica em concentrado aumenta relativamente mais o teor de propiônico, particularmente, e de butírico em relação a uma dieta rica em fibra. Dietas ricas em concentrado têm menor perda de energia como Metano (CH4) em função do maior teor de propiônico. Outra vantagem é que o propionato tem menor incremento calórico, sendo uma forma mais eficiente de utilização de energia, quando comparado ao acético. Esses estariam entre os motivos da maior eficiência de dietas de alto concentrado. Outro fator muito importante é a diluição das exigências de mantença e reflexo positivo com a diminuição do custo da dieta total (MEDEIROS E MARINO, 2015).
REFERÊNCIAS:
CONSTABLE, P.D.; HINCHCLIFF, K.W.; DONE, S.H.; GRÜNBERG, W. Veterinary Medicine: A Textbook of the Diseases of Cattle, Horse, Sheep, Pigs and Goats. 11a ed., St. Louis: Elsevier, 2017. 2308p.
NEGRÃO, N. F.; et al. Utilização de ionóforos como aditivo na alimentação de bovinos de corte. PUBVET, v. 4, 2010
OLIVEIRA, S. J.; et al. Uso de aditivos na nutrição de ruminantes. REDVET, v. 6, 2005.
MEDEIROS, S.R.; MARINO, C.T. Carboidratos na nutrição de gado de corte/ CAPÍTULO 4. Livro Nutrição de gado de Corte Fundamentos e Aplicações. Embrapa. Brasília DF, 2015.

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